terça-feira, 8 de outubro de 2013

Com a arte nas veias!



Participei esta semana do II Festival de Artes das Escolas de Assentamento do Paraná, que aconteceu no Teatro Guaíra (Curitiba),  de 07 a 10 de outubro. Montei, no início do ano, um Grupo de Teatro com alunos e alunas do Colégio Estadual do Campo Contestado, na Lapa, onde há tempos desenvolvo atividades voluntárias na área da Educação, e mantenho também um Ateliê de Artes – o ChrisArte. Já escrevi, adaptei e dirigi 11 peças, as últimas delas “Ensaio Sobre a Cegueira”, numa adaptação da obra de José Saramago, e “Para Sempre Dom Quixote”, da obra de Miguel de Cervantes – esta última apresentada em Curitiba durante cinco meses para mais de 7 mil pessoas. Em Campo Largo, faço parte da Academia Campolarguense de Poesia, onde contribuo com peças teatrais, textos e artigos. Para o Festival de Artes, adaptei e dirigi a peça baseada na letra da música “Duerme Negrito”, obra boliviana de autor anônimo, musicalizada pelo cantor argentino Ataulpa Yupanqui, uma linda canção encenada com referência principalmente à exploração do homens e mulheres do campo. E também, numa referência à saudosa cantora argentina Mercedes Sosa, que incluía esta música em todos os seus repertórios. Duerme Negrito é a canção que fala de uma mãe, viúva, que pede para o seu bebê dormir para poder trabalhar. Esta mãe precisa que seu filho durma para não ver o seu sofrimento, e para ele mesmo sofrer menos. O conteúdo da canção fala das coisas que a mãe trará para o filho na volta do trabalho:  Promessas de codornas, doces frutas, alimentos que estão no desejo dessa mãe que trabalha duramente, que trabalha doente, e que não lhe pagam, ou lhe pagam muito pouco. Ela e seus companheiros e companheiras de trabalho são explorados, e sofrem com esta exploração e com as injustiças às quais são submetidos pelo patrão que detém o capital e os trata como escravos. E a peça “O Mundo de Duerme Negrito” transformou este canto de lamentos, sofrimento e companheirismo numa mensagem de amor, força e luta daqueles que sustentam esta terra com seu trabalho e que nunca, jamais, perdem a esperança de um dia ter um mundo melhor. A peça foi apresentada na noite de segunda-feira (07/10) com um Teatro Guaíra (Curitiba) lotado e teve a presença do ator Sérgio Mamberti, autoridades locais e estaduais, e alunos e alunas das Escolas do Campo do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e São Paulo.
Fotos: II Festival de Artes das Escolas de assentamento do Paraná (Facebook)







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